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29 de abr de 2010

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

- Lugar: De onde falamos nós ao rezar? Das alturas de nosso orgulho e vontade própria, ou das “profundezas” de um coração humilde e contrito? Quem se humilha será exaltado (Lc 18, 9-14). A humildade é o fundamento da oração.

- Rm 8,26: “Não sabemos o que pedir como convém”.

- A humildade é a disposição para receber gratuitamente o dom da oração; o homem é um mendigo de Deus (Sto. Agostinho).

- Jo 4,10: “Se conhecesses o dom de Deus!”. A maravilha da oração se revela justamente aí, na beira dos poços onde vamos procurar nossa água; é aí que Cristo vem ao encontro de todo ser humano, é o primeiro a nos procurar e é ele que pede de beber. Jesus tem sede, seu pedido vem das profundezas de Deus que nos deseja.

- A oração, quer saibamos ou não, é o encontro entre a sede de Deus e a nossa. Deus tem sede que nós tenhamos sede dele (Sto. Agostinho).

- “Tu é que lhe pedirias e ele te daria água viva”(Jo 4,10). Nossa oração de pedido é, paradoxalmente, uma resposta. Resposta à queixa do Deus vivo: “Eles me abandonaram, a fonte de água viva, para cavar para si cisternas furadas”. (Jr 2,13).

- De onde vem a oração humana? Qualquer que seja a linguagem da oração (gestos e palavras), é o homem todo que reza. Mas para designar o lugar de onde brota a oração, as Escrituras falam às vezes da alma ou do espírito, geralmente do coração (mais de mil vezes). É o coração que reza. Se ele está longe de Deus, a expressão da oração é vã.

- O que é o coração? É a casa em que estou, onde moro (segundo a expressão bíblica: aonde “eu desço”. Ele é nosso centro escondido, inatingível pela razão ou por outra pessoa. Só o Espírito de Deus pode sondá-lo e conhecê-lo. Ele é o lugar da decisão, no mais profundo das nossas tendências psíquicas. É o lugar da verdade, onde nós escolhemos a vida ou a morte. É o lugar do encontro, pois à imagem de Deus vivemos em relação, é o lugar da Aliança.

- A oração cristã é uma relação de Aliança entre Deus e o Homem em Cristo. É ação de Deus e do homem.

- O homem está à procura de Deus. Pela criação Deus chama todo ser do nada à existência.

- Sl 8, 6: “Coroado de glória e esplendor”, o homem é, depois dos anjos, capaz de reconhecer que “é poderoso o Nome do Senhor em toda a terra”. (Sl 8,2). Mesmo depois de ter perdido a semelhança com Deus por seu pecado, o homem continua sendo imagem de seu Criador. Conserva o desejo daquele que o chama à existência. Todas as religiões testemunham essa procura essencial dos homens.

- Deus é o primeiro a chamar o homem. Ainda que o homem esqueça seu Criador ou se esconda longe de sua Face, ainda que corra atrás dos seus ídolos ou acuse a divindade de tê-lo abandonado, o Deus vivo e verdadeiro chama incessantemente cada pessoa ao encontro misterioso da oração.

- Essa atitude de amor fiel vem sempre em primeiro lugar na oração; a atitude do homem é sempre resposta a esse amor fiel. Á medida que Deus se revela e revela o homem a si mesmo, a oração aparece como um recíproco apelo.

- A oração não pode parecer coisa tão difícil, porque Cristo a pede a todos. Ela deve ser uma coisa simples, embora seja a difícil facilidade que só os pequenos e os simples sabem captar.

- Jesus dava graças ao Pai porque só os pequenos entendem as coisas do Reino: “Escondeste essas coisas aos sábios e prudentes, e as revelaste aos pequenos”. O Reino é dos simples de coração. Os calculistas e os sábios são precisamente os que menos o captam, e param na porta.

- Jesus louvou o publicano que, em sua oração, disse poucas palavras, mas as sentiu; proclamou bem-aventurados os pobres, porque deles é o Reino dos céus; afirmou que “se não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino”.

- Os “pequenos” aos quais o Pai revelou seus segredos são os “pobres”, os ‘anawin’ de Deus. Os que são capazes de receber, não os auto-suficientes; os que permanecem com a mão aberta diante de Deus, porque conhecem seus limites e sua pobreza; os que estão atentos à voz de Deus, dispostos a qualquer surpresa, capazes de admirar, louvar e pedir. Os que, para orar, não esperam grandes explicações, mas com simplicidade e naturalidade, sentindo-se filhos, entram em diálogo com Deus, seu Pai.

- Não estamos inspirados hoje? Não nos vêm fórmulas muito felizes para orarmos? Mas, diante de Deus, são necessárias fórmulas sábias? Um filho não necessita de muitas palavras para falar a seu pai. Os esposos não recorrem a palavras complicadas para dizer um ao outro o que querem dizer.

- O segredo dessa “difícil simplicidade”da oração está na atitude interior com que oramos. E essa atitude não pode ser outra senão a convicção de que Deus está presente, de que Cristo é nosso irmão e está conosco sempre e de que o Espírito de Deus habita em nós como em seu templo; portanto, que estamos imersos em Deus. Da convicção da “presença” brota espontaneamente a oração.

- Às vezes nossa oração é feita de muitas palavras: salmos, leituras, orações, cânticos. Também nesses casos ela pode ser “simples”, se conseguirmos fazê-la com a atitude interior de pobres e pequenos, sem demasiada preocupação com estruturas, e atentos mais ao espírito da oração.

- Mas outras vezes, especialmente em nossa oração pessoal, um sinal de amadurecimento seria se soubéssemos orar com poucas palavras, com fórmulas breves.

- O Evangelho nos dá exemplos admiráveis dessa oração simples e expressiva. Quantas coisas podem dizer orações como a do cego: “Senhor, que eu veja”. Ou a do leproso: “Senhor, tem piedade”. A Virgem Maria concentrou toda sua atitude interior numa oração admirável: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”.

- E quando Paulo nos fala de como o Espírito nos ensina a orar, não recorre a fórmulas difíceis e longas: o Espírito clama em nós e ele nos move a dizer a oração mais densa e breve: “Abba, Pai”.

- Às vezes a oração do cristão é simplesmente o silêncio: permanecer diante de Deus, disponível, aberto. Outras vezes, ouvir sua palavra calmamente, sem preocupações eruditas, deixando-se conquistar por ela.

- Outras vezes ainda, uma breve jaculatória no meio do trabalho: um louvor, uma petição, uma queixa.
- Repetir a mesma fórmula breve tem sido sempre um gênero de oração que calou fundo na humanidade. Os árabes têm uma ladainha que consiste em dizer 99 nomes de Alá. Todos ficaram impressionados com a força e a riqueza que emana do livrinho “O Peregrino Russo”, de autor anônimo. A sua oração, no meio das vicissitudes mais agitadas de sua vida, é sempre a mesma: repetir “Meu Jesus, tem misericórdia de mim”. E diz o peregrino no capítulo segundo: “Depois de algum tempo, notei que minha oração tinha passado dos lábios para o coração...”

FONTE:Paroquia Santa teresinha do Menino Jesus da Santa Face-Belo Horizonte-mg

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