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24 de jun. de 2012

São João Batista


Coincidentemente, a Festa do Nascimento do profeta João Batista acontece no domingo, Dia do Senhor. O momento é de lembrança e de memória da vida desse santo, aliás muito popular, na vida do cristianismo e na tradição do Brasil. Foi um nascimento testemunhado nos primeiros tempos da Igreja e conservado pela história nos escritos da Sagrada Escritura.

Os pais de João Batista, Zacarias e Isabel, eram já idosos, mas Deus, numa visão, prometeu-lhes um filho, o filho da velhice. João seria aquele que deveria prepara o caminho para a realização da Aliança de Deus, em Jesus Cristo. Isto se deu nos arredores de Jerusalém, tendo João Batista relação com o ministério de Jesus.

O mesmo fato misterioso aconteceu na vida de Maria, uma jovem da Galileia, temente a Deus, que tinha feito um voto de esterilidade. Mas Deus lhe fez conceber e dar à luz um filho, concretizando a Aliança feita com Abraão e agora finalizando com a nova humanidade, com o nascimento de Jesus Cristo.

Na mentalidade do tempo, ser estéril era visto como desonra e castigo de Deus, uma vergonha (Gn 30, 23). Todas as mulheres deveriam ser como a terra, aquela que faz germinar a semente. Zacarias e Isabel entendem que o filho era um dom de Deus, um verdadeiro presente, que nasce com uma missão em Israel.

O acréscimo "batista", ao nome de João, significa aquele que batiza, isto é, que batizou Jesus Cristo nas águas do Rio Jordão. Que veio pedir conversão do povo e mostrar a profunda misericórdia de Deus, diferente das atitudes praticadas pelo Imperador Herodes, autoridade sem piedade, que mandou decapitar João na prisão.

A presença de João Batista, pela sua fidelidade e coerência, tornou-se um perigo para as "falsas" autoridades do tempo. João foi um crítico contundente do poder vigente. Foi esse o real motivo de sua condenação e martírio. Isto significa que as falsas autoridades têm medo das palavras do profeta, de quem age defendendo a vida do povo e seus verdadeiros direitos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.


31 de jan. de 2012

POLÍTICA E DINHEIRO- Dom Paulo Mendes Peixoto,Bispo de São José do Rio Preto

Infelizmente, as comunidades cristãs são muito desorganizadas em relação à Pastoral fé e política. 
O nível de formação nessa dimensão é muito baixo e, com facilidade, as pessoas vendem sua liberdade na escolha de nossos dirigentes. 
É feio assistir a aceitação de doações de candidatos em troca de apoio nas eleições. 
É atitude desonesta com a sociedade, expressão concreta de corrupção.
Por isso, o povo está assustado com o nível de corrupção dos últimos tempos. 
Vemos que ela é fruto da perfeita conjugação existente entre política e dinheiro. Não da verdadeira política, daquela assumida como instrumento do bem comum, mas da que se apresenta como trampolim para que alguns consigam poder e, com ele, possam explorar as necessidades do povo.
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Estamos diante de um cenário escandaloso nos diversos níveis do poder. Não sabemos até quando o povo vai continuar aguentando e engolindo tudo isso. É preciso ter muita fé para não perder a esperança.
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Não imaginamos o que está por trás de tudo isto. Pelo menos podemos concluir que o nível ético dos políticos corruptos é muito baixo. Pior ainda, a qualidade de sua espiritualidade também o é, por não levar em conta o respeito para com o bem público. Pensam em si e não nos outros.

Toda pessoa eleita com o sufrágio do povo, mesmo com votos comprados ou vendidos, tem o poder nas mãos. O cargo não devia ser cabide de emprego e de estabilidade pessoal, mas serviço de construção da sociedade. Sendo usado sem ética, pode ser instrumento para favorecer desvios públicos.

O clima de desconfiança do povo em nossos políticos está aumentando, porque os fatos que os desabonam continuam acontecendo. Sabemos que a corrupção não é de agora, e que ela não parece caminhar para um perfil de mais honestidade e confiabilidade. Será que não estão faltando líderes mais autênticos no mundo político?

A classe política brasileira tem uma dívida quase impagável com o país. Muitas atitudes corporativistas, que favorecem poucos privilegiados, impedem o comprimento da justiça e levam tudo ao nada.

Com esta generalização da corrupção, principalmente no mundo da política, será que estamos num "beco sem saída!?". Não é o apego exagerado ao dinheiro que está causando tudo isto? Enriquecimento de grupos à custa da compra de políticos para favorecimentos de forma totalmente injusta?

É a corrupção que deve ser enfrentada pela população. É necessário descobrir caminhos para salvar a sociedade. Não com guerra e ódio, mas com a conscientização política, formação cidadã, coerência, autenticidade e ética nas decisões livres feitas por voto transparente.

O Brasil, com toda sua pujança, não merece ter um nível tão baixo na classe política como tem acontecido. Isto impede o crescimento, favorece a violência e causa insegurança. Não votam leis em beneficio do povo. Basta citar a vergonha em relação à Lei da Ficha Limpa.

Sabe o que realmente está faltando para os nossos maus políticos? Falta Deus e o perfil de sua Palavra. Ser verdadeiramente humano supõe ser também verdadeiramente divino. Sem isso, vamos continuar assistindo ao teatro das irresponsabilidades na gestão pública.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto