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27 de abr. de 2026

O crescente personalismo identitário e a liturgia feita um triste combo do McDonald´s.

Reflexão do Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior, PUC-SP, via Emerson Sbardelotti. 

O "personalismo identitário" é uma expressão utilizada pelos bispos ao apresentar os desafios da liturgia católica bem celebrada e bem vivida mas que vem sendo marcada por desvios diversionistas. 
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O personalismo descreve uma tendência em que a valiosa identidade pessoal ou a presença e carisma particular e nem sempre salutar de um pequeno grupo, se sobrepõe ao modo de toda Igreja ser e viver o seguimento de Jesus. 
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Uma pessoa ou uma rede de TV passa a comandar dioceses e pastorais impondo "estilos heterodoxos" sem conexão com o Evangelho, e repleto de migalhas religiosas e bugigangas vendidas a cada minuto como mercadoria, tornando a fé cristã um fetiche de cura e poder. 
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Se torna velozmente uma postura integrista e conservadora que afeta as legitimas celebrações litúrgicas de cada povo e lugar, criando um tipo de "religião McDonald´s", como um drive-thru religioso, com gosto de plástico reciclável, ao obscurecer a "ação e o louvor divinos" de toda Igreja, para favorecer e agrandar a experiência pessoal egocêntrica, repleta de opiniões moralizantes e de "ditas inovações litúrgicas" dessas lideranças locais "infladas de ego", que são chamadas de "influenciadores" ao exigir destaque e aplausos cada vez mais concentrados e um culto à personalidade (até com terços e livretos com sua foto maior que a de Jesus!). 
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Um povo crente que for assim conduzido perde o discernimento e a lucidez ao e transformar reais sentimentos em catarse de massa, em uma desviante mutação carismática que ao fim e ao cabo, se demonstra cada vez mais inadequada, volúvel e oca. 
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A boca fala do que não passou pelo coração e muito menos pela mente lúcida. Antes chamaríamos tudo isso de narcisismo ou carreirismo clerical. Algo que segue criando obstáculos ao processo de adaptação e encarnação pastoral autêntica, pois gera desvios das diretrizes da Igreja e cria uma liturgia mágica de alguns poucos padres feiticeiros, que dominam as redes, as tvs católicas e mesmo sites da internet e não mais valorizam o local e a Igreja viva que busca justiça, paz e sacramentos reais de comunidade e participação. 
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É preciso ficar bem atentos para não cairmos nessa ilusão que acabou se tornando para imensas multidões de pobres e sofredores uma tábua de salvação, mas de fato vem se tornando uma nova forma de pelagianismo
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Até a Palavra de Deus perde sua conexão com a história e se torna uma leitura de horoscópo. Santos e velas votivas se tornaram mais importantes que a Santissima Trindade. A graça passa despercebida pelo ofuscar do brilho narcisista. Devocionalismo cresce e pertença desaparece. Temos muito a pensar e revisar esse tal de personalismo identitário. 
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Eu sigo com a fé e a pertença que recebi de minha mãe, fé simples, ação direta e cotidianamente ligada à esperança familiar e social em favor dos pobres. Fé que se mostra pelas obras como pede a Carta de Tiago. 
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Quero distância desse tipo de clérigo e pastor e, sobretudo, pretendo ficar fora dessa "pedição" interminável de dinheiro, pois sei que aí reside a raiz de todos os males. Como dizia a Avó - "Nonna Rosa" - do papa Francisco: "o diabo entra pelo bolso". 
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Quem tem ouvidos para ouvir que ouça! Felizmente há profetas e presbíteros e bispos e sobretudo, mulheres consagradas que ainda guardam a seiva preciosa do Evangelho. Santidade nas comunidades e paróquias agindo em silêncio movidas pelo Espírito de Jesus Ressuscitado. São essas pessoas que proclamam Jesus nos porões da humanidade. Deus as fortaleça. O futuro depende delas.


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